Conjunto Cultural da República : : : Versão Ricky Seabra 2002 : : : Arquiteto Plástico

 

Setor Cultural Sul:

Setor Cultural Norte:

Leia abaixo sobre cada museu:

Centro de Novas Mídias e Biblioteca
(Ocupando o lugar do Touring Club)


A desapropriação e demolição do Touring Club dará lugar ao Centro de Novas Mídias e Biblioteca que abrigará mais material eletrônico/digital do que em papel. Será um centro de familiarização da internet com acesso gratis e um centro altamente interativo de tecnologias de ponta de som, imagem e informática como o Museu de Arte Eletrônica de Vienna. Uma cidade futurista como Brasília merece ter um museu tecnologicamente futurista.
Em seu anexo, muitos anos depois, funcionará o Centro de Ciências que, dependendo da curadoria, será uma evolução natural deste acervo. Este anexo contará com um cinema IMAX 3 dimensões. Este formato, (não o de 180 graus prevista no atual projeto Roriz/Niemeyer) é o que existe de mais moderno em termos da nova tecnologia cinematográfica.
O Centro de Novas Mídias é exatamente da altura da plataforma rodoviária e teria a forma de um triângulo com três grandes ondulações. Esta grande rampa ondulada convidará quem passeia na parte superior da plataforma rodoviária a descer pelas suas ondas para dentro do Setor Cultural Sul. A sua entrada principal seria numa abertura na segunda onda da estrutura.


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Museu dos Povos Brasileiros
(Ocupando o lugar do Gran Circo Lar)


Aqui eu proponho tirar da gaveta uma das obras mais lindas do Niemeyer que nunca foi realizado; o Museu de Arte de Carácas. Esta forma é espetacular; uma pirâmide de ponta-cabeça. Este museu será um gigantesco museu antropológico. Todo trabalho social sendo feito no Gran Circo Lar será absorvido por este museu
que durante anos chamei de Museu Folclórico. Mas num país como o Brasil não convem traçar linhas divisórias entre a nossa folclore, arte e cultural popular.
Em prinícipio, mostrará manifestações artesanais, tradicionais, ritualísticas, religiosas, músicais etc dos vários povos do Brasil: os mineiros, os povos nordestinos, gaúcho, sertanejo etc. Exposições não permanentes poderiam falar das nossas "tribos" mais recentes: grafiteiros, surfistas, rappers, metaleiros ou até cultos religiosos. Estas exposições poderão viajar para outros museus do país. Como a identidade de cada "tribo" brasileira é muito definida pela sua música e danças, este museu estaria ligado fisicamente por um túnel (e administrativamente) ao Museu da História da Música Brasileira.
O acervo do Museu do Índio (do lado do Memorial JK) será transferido para este museu. Os indios são povos nativos do Brasil e merecem destaque neste museu. Portanto, estes povos fariam parte de um todo. Além do mais, o atual Museu do Índio tem uma visitação patética de uma pessoa por dia. Este monumento (o Museu do índio) tinha que ser desativado como museu. Funciona num lugar longe do circuto túristico. Sou a favor da concentração da cultura de Brasília no seu centro para que se possa fazer tudo a pé. E como o atual Museu do Índio está numa área administrativa da cidade, com algumas modificações mais um anexo, poderá abrigar a câmara legislativa do DF.


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Maquete de Oscar Niemeyer para o Museu de Arte Moderna de Carácas, 1954-55.


Projeto do Niemeyer de seção do Museu de Arte Moderna de Caracas, 1954-55

Museu da História da Música Brasileira (subterrâneo)

Este museu subterrâneo (entre o Centro de Novas Mídias e o Museu dos Povos Brasileiros) guardará tudo que existe de música brasileira em vinil, CD, película (musicais), video, songbooks, e partituras. Poderá também apoiar os trabalhos acadêmicos de musi-etnólogos gravando músicas populares nunca registradas anologicamente ou digitalmente. Contará também com uma pequena concha acústica abaixo do nível térreo e estúdios de gravação. Funcionará como biblioteca com visitantes podendo pegar emprestado CDs e LPs. Este acervo deveria nascer da colaboração entre o Centro de Novas Mídias e o Museu dos Povos Brasileiros.
As áreas ENTRE todos os museus são grandes o suficiente para abrigarem mais 3 museus subterraneos. O conteúdo destes será para gerações futuras decidirem. Uma sugestão que tenho é um museu dedicado a escravidão no Brasil
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Museu de Arte de Brasília (MAB)

Este projeto lembra a cúpola da sede do Partido Comunista em Paris (projeto de Niemeyer). Parte da cupola é subterrânea para que o espaço dentro seja maior do que parece de fora. Importante aqui é preservar o espaço aberto em torno da Catedral. O pedestre poderá subir nesta cúpola e terá um angulo espetacular da Esplanada e Catedral. O acervo do MAB, que funciona no salčo de baile do antigo Hotel de Brasília, será transferido para este local. O atual MAB vive com problemas de infiltraćčo e inundaćčo crônicas fica perto do Palácio da Alvorada e tem uma visitaćčo de uma pessoa por dia. Está na hora de aposentá-lo. Espaço para um futuro anexo será reservado.


Teatro Nacional Claudio Santóro

O Teatro Nacional é a única obra do Niemeyer no Setor Cultural Norte-Sul. O design dos museus do lado norte deste setor levam em conta as linhas e ângulos desta obra.
Palácio da Flora e Fauna do Brasil

Este museu, assim como o Museu dos Povos Brasileiros será gigantesco. Será um verdadeiro palácio que comemoraria a flora e fauna do Brasil; a mais rica do planeta. Contará com exposições dos diferentes ecosistemas do país.
No seu anexo (que não está no desenho ao lado) funcionará um centro de pesquisa biológica e banco genético.
Como muitos filmes produzidos no formato IMAX são filmes sobre natureza, a sala IMAX 3-D pode ser localizado na gigantesca êsfera atrás do museu e não no Centro de Novas Mídidas assim como o museu de História Natural de Nova Iorque. O cinema IMAX terá uma entrada independente do museu pois o cinema poderá funcionar após o horário de expidiente do museu. Mas se esta sala ficar com o Museu de Novas Mídias, a êsfera do Palácio da Flora e Fauna será usada como estufa de plantas raras ou uma sala de exposição especial.
Quem sair deste Palácio da Flora e Fauna verá a sua frente uma passagem para pedestres rebaixada e ampla que atravessaria todo o Eixo Monumental dando no Museu dos Povos Brasileiros. Assim o frequentadores dos museus do Instituto Caliandra não precisariam atravessar os eixos.

Aquário Nacional

Este museu será dedicada à exposição de espécies marítimas e fluviais do Brasil. A grande parte dos aquários e salas de exposição serão subterraneas. A parte do museu acima do nível da rua lembra as costas de um bôto emergindo da superfície de um rio. A iluminação deste museu de noite será feita de tal maneira para dar um movimento ondulado às suas paredes. A área onde o museu será construido já conta com o que parece ser um enorme buraco escavado na época da construção da cidade (ou declive natural até a N1).
Espaço para um futuro anexo será reservado na via N1 onde funcionará um centro de pesquisa biológica e banco genético.

 

Uma critica do projeto Roriz-Niemeyer para o Conjunto Cultural da República:

O projeto Roriz-Niemeyer do Conjunto Cultural da República tem que ser suspensa. A justificativa que o Niemeyer dá pela pressa do projeto é "que a área vai perder a unidade se não for feito agora".

Não concordo.

O que esta área realmente precisa é de debate e mais debate, desenhos e mais desenhos, maquetes e mais maquetes feitos por arquitetos, designers e artistas de Brasília e apaixonados por Brasília e a obra do Niemeyer pelo mundo afora.

Esta área que ficou vazia durante tanto tempo é onde nós Brasilienses podemos exercer o ato de ser tão visionários quanto os criadores da cidade. É uma oportunidade para Brasília ser uma colaboração em vez de uma imposição; um diálogo entre os pais e os filhos de Brasília.

Mas derepente querem preêncher este vácuo com um projeto conceitualmente pobre num período curto. O problema maior do projeto Roriz-Niemeyer é que não visa a inovação nem o crescimento de acervos. Na verdade, é apenas uma repetição do que já existe num raio de 2 kms. Veja abaixo o projeto que apareceu no Correio Braziliense, domingo, 5 de novembro, 2000:

Como podem observar, nada de invador é introduzido nesta área. As minhas críticas do projeto acima são as seguintes:

1) No caso do projeto de biblioteca, já existe a Biblioteca do Senado perto desta área.

2) O Centro de Música repete o que a Sala Martins Penna, Sala Villa Lobos, Sala da Anatel, Caixa Econômica e Sala FUNARTE já oferecem.

3) O Niemeyer propõe que no cinema 180 graus funcione também um planetário. Já existe um planetário perto do Centro de Convenções. Além do mais a idéia de cinemas 180 graus já está ultrapassada tecnologicamente. O formato IMAX 3-D é o que hoje existe de mais moderno.

4) A galeria de ligação subterrânea com lojas repete o que existe em termos de comércio na Galeria dos Estados, Conjunto Nacional e no Conic. Esta passagem subterrânea devia ser alargada e usada apenas como ligação e praça a céu aberto permitindo que atividades culturais alternativas alí brotem. As lojas e restaurantes que o Niemeyer propõe para a galeria de ligação deviam funcionar DENTRO dos museus como é praxe em todo o mundo. A presença de uma área comercial fora dos museus vai diminiuir a quantidade de dinheiro que o turista vai gastar dentro dos museus; uma renda que pode ser repassada na manutenção parcial dos museus.

5) O mais grave é esta idéia de 10 salas de cinema multiplex. Tudo bem que cinema também é cultura mas Duro de Matar 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 10 num Setor Cultural?! Brasília já conta com cinemas nos shoppings pela cidade inteira inclusive bem próximo desta área. É mais apropriado que nomes como "Fundação Athos Bulcão" ou "Instituto Paulo Freire" funcionem neste setor do que nomes como Karim ou Luiz Serveriano Ribeiro.

Acervos são o que a gente precisa neste setor.

Vamos construir a nossas coleções, adquirir obras do Brasil inteiro, acumular os nossos tesouros e exibí-las no CENTRO da cidade e não onde o vento faz a curva como no caso do Museu do Índio ou o MAB. A construção de algo tão importante como um centro cultural não pode e nem deve acontecer dentro de um só mandato político. O Smithsonian Institute de Washington, (um complexo de 10 museus) levou quase 100 anos para construir e ainda não esta pronto (e olhe que eles tem dinheiro!)

Acervos levam tempo para acumular. Isso é coisa para 20 - 40 - 60 anos. E daí ? Acervos e patrimônio são também para gerações futuras possuirem e construirem.

Morei 13 anos em Brasília. Todos que me conhecem sabem que eu sou um apaixonado por esta cidade. Vi a Exposição 90 Anos do Niemeyer e o seu projeto para o Conjunto Cultural da República. Confesso que me decepcionou muito.

Esta área é importante demais para ser desenvolvida as pressas só porque querem "terminar a obra do século" em dois anos. Esta atitude é rala e não garante qualidade. E desde quando é que as cidades ficam prontas? Quando é que Paris ficou pronta? Quando abriram as largas avenidas ou quando Mitterand inaugurou La Défense? Ou Salvador? Ou Nova Iorque?

Esta área é o NOSSO CENTRO. Vai ser o coração da cidade; a parte da qual um dia vamos mais nos orgulhar. A Praça do Três Poderes, Asas e Eixos falam dos sonhos de nossos dois "pais" (o Costa e o Niemeyer). Mas o Setor Cultural Norte-Sul deve falar dos sonhos dos FILHOS de Brasília.

Por isso peço: Suspendam já o atual projeto para o Conjunto Cultural da República. Que ele seja apenas UM projeto num mar de projetos. Vamos todos pensar, debater e criar algo que reflita os nossos sonhos e não as dos nossos "pais". O Niemeyer não precisa se preocupar. Tenho certeza que os Brasilienses farão bonito. O espírito dele já está dentro dos que amam esta cidade.

- Ricky Seabra,
16 de novembro de 2000

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Richard Seabra

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